John Erskine: A natureza do Pacto no monte Sinai – Parte I

O propósito dessa série de postagens (não sei quantos posts renderão porque a obra é grande, são 332 páginas) é apresentar o resumo da obra de John Erskine (1721-1803) que responde, negativamente, as seguintes questões: “O Pacto no Monte Sinai prometia vida eterna?”, “O Pacto de Graça é o cumprimento do Pacto no Sinai?”.

John Erskine (1721-1803) foi um ministro presbiteriano escocês que contribuiu para o movimento do Ato de Abolição . Seu pai foi John Erskine (1695 – 1768), professor de Lei da universidade de Edimburgo. Erskine (filho) rejeitou a ideia americana e britânica de um “estado democrático (país/nação) santo” e igreja nacional. A igreja não possuía mesma substância e forma do Israel Nacional.

O ministro presbiteriano acreditava no “Half-Way covenant”, (pacto de meio-termo ?!). Esse forte movimento (principalmente na Nova Inglaterra) afirmava que os filhos dos crentes poderiam entrar parcialmente na aliança da graça e, desse modo, receber o batismo bem como o direito à membresia. Porém, o pacto em sua plenitude era reservado àqueles que professavam a fé. Foi devido a essa controvérsia que John Erskine escreveu a dissertação teológica:  “The Nature of the Sinai Covenant” em 1765.

A Natureza do Pacto no Monte Sinai

A natureza das igrejas judaica e cristã é diferente. Não foi apenas o pacto de graça que pertenceu a Israel, outros pactos, expressamente distintos dele, também pertenceram (Rm 9.4; Jr 31.31; Hb8.9, Ez 16.61). Os outros pactos estavam destituídos de piedade interna e não havia nenhum meio ou caminho de interesse no Pacto de Graça neles. Foram estabelecidos para outros tipos substanciais de bênçãos pactuais.

O texto de Gl 4.22-24 revela que o filho mais novo de Abraão, ao receber uma benção servil, teve que se contentar em ser excluído da família de Abraão. Ismael foi usado para revelar que Israel, na carne, não encontraria esperança salvífica quando o verdadeiro Israel tomasse a herança em Cristo.

Hb 8.9 também releva a diferença substancial entre o Pacto do Sinai e o Pacto Cristão. O texto não se refere ao pacto quando os judeus voltaram do cativeiro Babilônico, como alguns supõe, porque nenhum novo pacto foi estabelecido naquele momento. O apóstolo também não falou de novas circunstâncias acidentais, mas de uma nova natureza, nova substância. O Pacto Mosáico e o Cristão são apresentados com naturezas e propriedades inteiramente diferentes.

O Antigo Pacto feito com os pais não é semelhante a Nova Aliança Cristã. No Pacto do Sinai, ou Mosaico, Deus foi como um monarca temporário da nação judaica. Prometeu a eles longa e próspera Canaã, sob a condição de obediência externa, variedade de leis, preceitos e julgamentos.

O Pacto no Sinai foi dedicado com sangue de animais (Ex 24; Hb 9.19). O mediador daquele pacto era típico, Moisés. A condição dele foi a obediência, não somente às leis promulgadas naquele dia que o Senhor apareceu no monte Sinai diante de todo o povo, mas uma variedade de rituais promulgados que puniam a idolatria do bezerro de ouro, preservava a verdadeira religião, protegia Israel das nações vizinhas e tipificava coisas melhores que viriam com o Messias.

A obediência a essas leis nunca pretendeu atingir ou obter bênçãos celestiais e espirituais. Elas serviam apenas como freio para a idolatria e outros pecados externos. A obediência a elas não proporcionaria paz à consciência e perdão para vida eterna. Era preciso outro Pacto, melhor estabelecido, fundamentado em promessas superiores. Portanto, o Pacto no Sinai não foi um pacto de Obras nem de Graça, como os sistemáticos definem. Foi um pacto misto com parte de ambas as naturezas.

Ele foi um gracioso pacto de obras. A natureza mista significa que Deus amou os judeus acima de todas as outras nações, fez um pacto com eles, apontou os sacrifícios para expiar os pecados que poderiam, de outro modo, quebrar a aliança, sendo tudo isso uma bondade graciosa, imerecida. Entretanto, a pesada obediência servil não foi revestida com a promessa de assistência especial de Deus – [esta assistência do Espírito Santo é restrita ao Pacto de Graça 2Co 3.6].

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